sexta-feira, 29 de março de 2013

Alma - Charles Bukowski

 
Oh, como eles se preocupam com minha alma!
recebo cartas
o telefone toca...
"você vai ficar bem?"
perguntam.
"ficarei bem", eu lhes digo.
"já vi tantos se afundarem na sarjeta",
eles me dizem.
"não se preocupem comigo", digo.

ainda assim me deixam nervoso.

entro e tomo uma chuveirada
saio e espremo uma espinha do nariz.
então vou até a cozinha e preparo
um sanduíche de salame e presunto.
eu costumava viver de doces baratos.
agora tenho mostarda alemã importada
para passar no sanduíche.
devo estar em perigo
por causa disso.
o telefone segue tocando e as cartas seguem chegando.
se você vive dentro de um armário na companhia de ratos
e come pão velho
eles gostam de você.
você passa a ser um gênio.
ou se você está bêbado
e não pára de gritar                   
obsenidades
vomitando as tripas no chão
você é um gênio.
mas experimente pagar o aluguel um mês adiantado
vestir um novo par de meias
ir ao dentista
fazer amor com uma garota limpa e saudável
em vez de pegar um puta
e você vendeu sua alma.
não estou minimamente interessado em perguntar como vão suas almas.
suponho que era o que eu deveria fazer.    

---------------
      

William S. Burroughs


"Um psicótico é um cara que simplesmente percebeu o que tá rolando."

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amor Próprio - Ariana Mendonça


Alguns dizem que os opostos se atraem.
Mas na minha vida
Esse ditado nunca colou.
Ando desejando alguém tão idêntico a mim,
que eu possa deslizar as mãos pelo seu rosto como quem acaricia um espelho.


Quero me encontrar olhando em olhos similares,
em olhos que me refletem,
em olhos que me possibilitam uma visão ampla de mim.
Acredito que enfim,
 estou de fato,
de quatro,
 irremediavelmente  apaixonada
por mim.


Eu me odeio
Eu me amo
Sou obsessiva
Em todos os aspectos que me concernem.
E ainda que solitária,
ou talvez por isso
Convivo benzissímo-bem
comigo mesma.


Apesar das brigas,
desentendimentos,
contradições
e sérias,
decepções internas.


No fim acabo sempre voltando para mim. Sem nunca deixar outro alguém entrar.
Uma solitária!
E eu vos digo que,
a única coisa pior do que alguém ser só.
É não ligar para isso.
Afinal, quem pode se amar desse jeito:
com tamanha intensidade,
e desleixo?


Mas se todos nascem sós,
e sós voltamos ao pó,
Quem me garante que eu não arranjei o melhor par,
quando me escolhi para viver?


Talvez eu seja a única que enfim não morrerá sozinha,
que será sepultada não ao lado do seu grande amor,
e sim dentro dele.
Aquela que terá mais que a presença,
mas a eterna devoção,
que nasce apenas da certeza do comprometimento mútuo.


Sem polarizações
Ou separações
como Romeu e Julieta
o Queijo e a goiabada
ou a metade abandonada da laranja


No meu final feliz estará escrito
que eu não precisei morrer pra viver eternamente com o meu amado
Porque tanto a minha vida
quanto a minha morte
sempre estiveram,
 irrevogavelmente sincronizadas à ele.
Um só coração.
Um só amor.
Eternos.

Ariana Mendonça



sexta-feira, 22 de março de 2013

Notas sobre o aborto


Conselhos médicos propõem que se dê à mulher a opção de parar gravidez
Posição tem respaldo da maioria dos conselhos de medicina e dá força à reforma do Código Penal em análise no Senado

O Aborto é sempre um assunto polêmico. A defesa da vida dos fetos (assim como o machismo) é um discurso arraigado em todos nós, incutido principalmente pela influência das religiões cristãs. Foram séculos vivendo sob o julgo da Igreja e por mais que agora sejamos um país laico ainda restam sérios resquícios de opiniões religiosas permeando as decisões políticas (não me deixa mentir o Marco Feliciano). Não me cabe dizer se o aborto é certo ou errado, porque antes de tudo essa é uma escolha pessoal. E as pessoas devem sentir-se livres para serem contras ou a favor do que quiserem, mas é preciso entender que em um estado democrático o pessoal não pode sobrepujar o coletivo. Não se podem impingir crenças e verdades únicas para um conjunto - que é sempre algo amplo e plural.

Quer se queira ou não, a vida do bebê está intrinsecamente ligada à vida da mãe, portanto, ela deve ter algum poder de decisão. As pessoas devem ter o direito de fazer suas próprias escolhas, sem interferência alheia. Nesse ínterim algumas pessoas talvez me perguntassem: Então se você decidir que acha correto matar pessoas, você tem o direito de fazê-lo? Ou: Matar um feto é a mesma coisa que matar uma pessoa? Para a segunda pergunta eu diria que a resposta depende da definição sobre o início da vida – e esse assunto ainda não chegou à uma conclusão. Para a primeira pergunta, eu diria que não creio que matar uma pessoa é o mesmo que cometer um aborto, porque as pessoas possuem suas vidas de maneira autônomas em relação à mim, ou seja, se eu não interferir em suas atividades, elas continuarão existindo. Com um filho é diferente, pois gestar envolve toda uma série de atitudes e mudanças que nem sempre uma mulher está disposta ou apta a manter.

Acredito que cabe muito menos aos homens julgarem essa questão. Primeiro, porque eles não sabem nem nunca irão saber como é estar grávida, logo essa decisão não afeta suas vidas drasticamente. Um homem pode ter 50 filhos sem ter sua vida alterada, uma mulher jamais. E no final das contas, o aborto é simplesmente algo que acontece espontânea ou induzidamente, seja ele legalizado ou não.

E para além de todos esses questionamentos que sempre surgem, o mais interessante é questionar os valores por trás das defesas de ambos os lados, mas principalmente das opiniões “socialmente aceitas”. Uma das coisas que achei mais interessante é quando D'Ávila afirma:

 “A posição adotada não significa apoiar o aborto ou a descriminalização irrestrita da prática.”

Sim, porque a maioria das pessoas que são contra o aborto acredita que se o aborto for legalizado as mulheres o farão indiscriminadamente. Como se fosse um procedimento muito simples, sem riscos e nada traumático na vida de uma mulher. Seria o mesmo que supor que só porque existe transplante de coração uma pessoa cardíaca teria um comportamento de risco. Tenho certeza de que as mulheres que uma vez se submetem a um aborto, não desejam que ele ocorra de novo. Se não for pelo altruísmo, garanto que pelo menos por egoísmo as mulheres não se submeteriam a esse procedimento de forma banal. É óbvio que algumas mulheres se sentem menos incomodadas com essa possibilidade e se submeteriam várias vezes ao procedimento, mas com certeza elas não representam a maioria. Logo não podemos penalizar todas, pela postura de uma minoria.

Um estudo recente elaborado pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) com financiamento do Ministério da Saúde traçou o perfil das mulheres que abortam e descobriu algo revelador. Essas mulheres tem entre 20 e 29 anos, trabalham, são católicas, tem um parceiro estável e pelo menos um filho. Então o que isso significa? Que essas mulheres não são monstros sem coração que odeiam criancinhas. Mas sim que são mulheres que não podem arcar com a maternidade por um motivo ou outro, seja ele monetário, de tempo, ou psicológico. O problema é que os chamados pró-vida entendem que a mulher “naturalmente” foi feita para ser mãe, e que, portanto devem ser altruístas, colocando a vida da criança em primeiro lugar, antes da sua vontade, necessidade e disponibilidade. Mas não, a maternidade é uma escolha emocional & racional. Ser mãe implica em responsabilidade e doação – logo não pode ser uma decisão tomada apenas por impulso ou “desejo biológico”. Aqueles que não reconhecem esse fator prático e racional da vida nem deveriam tentar proteger os fetos, já que encaram a existência de forma tão simplista e emotiva.

Do outro lado está a declaração de Soares, que é muito boa para analisar a defesa daqueles que são contra o aborto. Quando ele diz que:

“Não é uma questão religiosa. Enquanto médicos, entendemos que nossa obrigação primeira é com a vida.”

O que ele está tentando dizer? O que ele caracteriza como vida? O importante é tão somente “gerar” essa vida ou “mantê-la” no mundo? Gerar é um processo a curto prazo, mantê-la, à longo. Se você gera e não mantém, o trabalho será em vão. É o que vemos acontecer desde as favelas do Rio até os paises pobres da África, mães gerando filhos indiscriminadamente que morrem de fome ou pela violência. Enquanto médico entendo seu posicionamento em favor da vida, mas nem todas as causas de morte podem ser evitadas pelos médicos, a pobreza, a violência, a fome – que são as principais causas de morte entre adolescentes e crianças - não podem ser combatidas pelos médicos. Enquanto isso, boa parte dos chamados “pró-vida” não se mostram preocupados em erradicar a fome ou combater a violência (pelo contrário, geralmente são essas as mesmas pessoas que defendem a diminuição da maioridade penal). Ou seja, elas não estão preocupada em manter a VIDA enquanto ela está VIVA do lado de cá, apenas tentam impedir sua MORTE quando está do lado de lá da PLACENTA. Bem, porque no momento em que o bebê nasce, ele se torna cidadão – sendo ‘responsável por’ e ‘responsabilidade de’  todos. Mas enquanto está na barriga da mãe é de responsabilidade apenas dela.
E porque Soares atrela a palavra “vida” apenas aos bebês, como se as próprias grávidas não estivessem vivas?

Ao meu ver a preocupação principal deveria ser se a mulher estar APTA a ter filhos. E com “estar apta” eu entendo como principal a sua própria motivação e vontade de cuidar de um filho. Sem motivação e vontade não conseguimos gerir nada a longo prazo, desde um curso, um trabalho até uma família. Logo, quando essas pessoas defendem a vida em primeiro lugar, eles precisam definir melhor o que entendem como vida e sua noção sobre a qualidade dessa vida. Quem sabe não seria melhor se eles utilizassem a terminologia “parto” no lugar? Pois elas se preocupam que o bebê saia com vida do corpo da mulher, contudo o destino que terá daí para frente não é tão inquietante. Mas é claro, levantar uma bandeira com a inscrição: “Nossa obrigação primeira é com o parto”, ia deixar claro que entende-se o corpo da mulher como mero objeto ou “ponte” - destituída de vontade -  do qual o feto se utiliza para crescer e chegar a esse mundo.

No final das contas você notou que não tem nenhuma mulher médica opinando sobre o assunto? 



Fontess: 

terça-feira, 19 de março de 2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

É assim que lembram de mim

Adoro quando as pessoas que eu gosto lembram de mim ao verem fotos desse tipo... 

Seria pelo estilo vintage da imagem? 
Ou pela sua menção à música? 
Quem sabe pelo glamour? 
Ou talvez porque remeto à uma dama da alta sociedade?

Nããããã... é porque:

Where there's Bud... there's Ariana.

Quem me conhece que me compre, né mano Lipe  ;)

quinta-feira, 14 de março de 2013

I feel like it


You know that I'm a crazy bitch
I do what I want when I feel like it
All I wanna do is lose control
But you don't really give a shit
You go, if you go, if you go with it
'Cause you're fucking crazy Rock 'n' Roll


domingo, 10 de março de 2013

O produto somos nós


“Se não estamos pagando nada, diz um ditado cada vez mais recorrente na rede, é porque o produto somos nós.”
Pedro Doria sobre a internet em Blog da Lola


Aldous Huxley - Admirável Mundo Novo

Comprei esse livrinho pela bagatela de R$12,00 acreditam? Fiquei feliz demais e li bem rapidinho. Aldous Huxley e George Orwell são os melhores quando se trata de escrever livros distópicos. O pior é que em certos aspectos eles acertaram. Tentar prever o que será de nós no futuro não é tarefa fácil, Huxley acredita em um futuro em que o homem é sublimado pelo prazer e felicidade extremos, Orwell acredita justamente no contrário. Mas  o ponto que lhes é comum, é justamente no que acredito também: que o ser humano caminha para à fragmentação de si. Continuamos comprando máquinas e investindo no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, mas não será possível atingir a perfeição, apenas um mérito relativo. E quanto mais se avança para uma coesão global, mas nos afastamos de nós mesmos, e de nosso componente humano.

Enfim, eu sei que deveria ter escrito a resenha do livro, mas estou muito preguiçosa esses dias. Então vou deixar apenas algumas frases - o livro tem várias ótimas!



* Governar é mais questão de acomodar do que de atacar. Governa-se com o cérebro e com as nádegas, nunca com os punhos.



* Quem é diferente está destinado a ser só e a ser tratado brutalmente.

* Decerto. A felicidade real me parece bem sórdida em comparação às compensações que se encontram na  miséria. E sem dúvida a estabilidade não é tão bom espetáculo quanto a instabilidade. E estar contente nada tem do encanto de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de uma batalha contra a tentação, nem de uma derrota fatal pela paixão ou pela dúvida. A felicidade nunca é grandiosa.

* Todos os efeitos tônicos do assassínio de Desdêmona e do fato de ter sido ela morta por Otelo, sem qualquer das inconveniências.
_ Mas eu gosto das inconveniências.
- Nós não gostamos - disse o Dirigente. - Preferimos fazer tudo confortavelmente.
_ Mas eu não quero o conforto. Quero Deus, a poesia, o perigo real, a liberdade, a bondade, o pecado.
_ De fato - disse Mustafá Mond - você reivindica o direito de ser infeliz.
_ Pois bem - disse o Selvagem como um desafio -, reivindico o direito de ser infeliz.
_ Sem falar no direito de se tornar velho, feio e impotente; de ter sífilis e câncer; de não ter o que comer; o direito de ter piolhos e de viver em constante apreensão sobre o dia de amanhã; o direito de contrair tifo, de ser torturado por dores indizíveis de toda a espécie. - Houve um longo silêncio.
_ Eu os reivindico todos - disse afinal o Selvagem.
Mustafá Mond deu de ombros. - Você será bem-vindo - disse.

sábado, 9 de março de 2013

Cerejeiras em flor


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Flor de Cerejeira significa a beleza feminina e simboliza o amor, a felicidade, a renovação e a esperança. É uma flor de origem asiática, conhecida como “Sakura”, é a flor nacional do Japão.
A cerejeira fica pouco tempo florida, por isso suas flores representam a fragilidade da vida, cuja maior lição é aproveitar intensamente cada momento, pois o tempo passa rápido e a vida é curta.

O fruto da cerejeira, a cereja, é considerado o maior símbolo de sensualidade, erotismo e sexualidade, principalmente pela cor vermelha intensa.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Chorão, hoje quem chora sou eu.

Nem consigo dimensionar o quanto fiquei triste ao receber essa notícia hoje. Talvez para a nova geração não signifique nada, mas a banda Charlie Brown Jr. marcou minha adolescência. Junto com Raimundos marcou uma época em que eu me orgulhava do rock nacional. Ouvir que o Alexandre morreu é o tipo de noticia que nunca pensei que ouviria em uma quarta-feira de manhã a caminho do trabalho. De repente relembrei todos os bons momentos que vivi  que foram marcados pelas músicas do Charlie Brown: aquele rolé de skate, cantar à capela com o irmão no violão, dançar em frente à Tv sintonizanda na MTV, um beijo roubado na escola, consertar a bicicleta no quintal, zoeira com os amigos... Tudo isso sob a voz forte e marcante do chorão, com aquelas sonoplastias vocais que só ele sabia fazer. Chorão, hoje quem chora sou eu. Vou olhar pro céu azul e lembrar de você, já te rezei uma prece. Que o céu seja um escritório na praia com muitas rampas pra você dropar.


UFA! As meninas não podem mijar na rua....




Se você ainda não sabe, a Prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou no dia 26 de fevereiro de 2013 um novo modelo de mictório público. A idéia foi batizada chistosamente de UFA! (Unidade Fornecedora de Alívio). Lá vamos nós fazer aquela análise básica da questão ....partindo das premissas:



1º O esgoto e a produção de lixo nas cidades está diretamente correlacionada à saúde da população. Os banheiros públicos nesse contexto configuram-se como uma necessidade básica para a higiene e o saneamento básico de qualquer cidade grande, em que o fluxo e o movimento de pessoas é muito intenso.

2º O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do país economicamente falando e um dos maiores destinos turísticos do país, com uma população gigantesca para suas diminutas dimensões territoriais. Os impostos que pagamos aqui são abusivos, e viver nessa cidade se torna cada dia mais caro.

3º Todos sabemos que o ser humano tem necessidades fisiológicas. Considerando que a modernidade exige que passemos a maior parte do tempo em movimento - habitando mais a cidade do que nossas casas - transfere-se a questão das necessidades fisiológicas também para o âmbito público.



Logo, o resultado dessa equação é óbvio: cidades cada vez mais populosas geram maior fluxo de pessoas nas ruas, logo mais pessoas precisam de banheiros públicos.

Portanto, por mais que esse não seja um assunto atrativo, necessitamos discuti-lo, pois os banheiros públicos constituem parte do mobiliário urbano. E quanto mais completo se torna esse mobiliário, melhor é a qualidade de vida da população e a recepção e fruição dos turistas.

O fato da Prefeitura começar a pensar sobre isso é ótimo. Mas nós cariocas sabemos que é comum aqui na cidade maravilhosa, tudo ser concebido de maneira simplista e descuidada - de forma a cumprir tabela ao invés de atingir o objetivo. A começar pelo próprio nome do projeto (UFA!- Unidade fornecedora de alívio) subtende-se que o assunto não é levado à sério. Mictório a céu aberto, sem porta e pia, isso não pode mesmo ser sério. Gastar R$ 19 mil nessa empreitada, menos ainda. A desculpa velada que fica bem clara é de que o carioca é um vândalo, não pode ver nada bonito que estraga, isso fica claro na fala de Marcus Belchior (secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos):

"Escolhemos a Central do Brasil para a fase de testes, pois há pouca utilização do espaço público. Também poderemos impedir ações delituosas, já que as pessoas podem ser vistas. A principal dificuldade relativa a banheiros públicos é a questão da operação. Esse é um modelo que deu certo na Europa e nos Estados Unidos. Se for bem avaliado, apresentaremos um projeto executivo para toda a cidade”.


Ao meu ver essa justificativa é fraca e simplista, pois são vários os casos de ambientes que por serem bem-construídos e conservados, instigaram a noção de pertencimento do espaço e, portanto o cuidado por parte da população. Também faz parecer que a cidade do Rio é tão pobre que não pode investir em um projeto um pouco melhor.

Em terceiro lugar, podemos inquirir que a unidade de alivio busca “aliviar” apenas a parcela masculina da população, já que nós mulheres continuamos desguarnecidas nesse aspecto. Ainda segundo Marcus Belchior  esse mérito se justifica pelo demérito dos homens:

"Banheiros públicos são uma necessidade da cidade, e verificamos que nessa história os homens são mais mal educados. – disse ele.

Ou seja, os homens vão ganhar um banheiro só para eles, porque são muito mal-educados. Mas peraí, isso não vai justamente de encontro a própria desculpa velada do Município para não instalar um equipamento mais sofisticado? Então, porque não implantar banheiros ultra-modernos apenas para as mulheres, já que elas são tão educadas a ponto de manter os mesmos intactos?

Enfim, vamos fingir que ninguém sabe que as mulheres não urinam nas ruas por mera “desvantagem biológica”. Os homens urinam nas ruas porque podem fazer isso sem expor excessivamente o seu corpo, as mulheres não. Prova disso, é que são muitos os casos de mulheres que solicitam as amigas que façam “cabaninhas” ou “bloqueios” com o corpo para poderem urinar na rua sem se sentirem expostas. Não se trata apenas da falta de educação, por que muitas vezes é uma questão de extrema necessidade. A verdade é que durante o Carnaval, por exemplo, não existem banheiros suficientes para a população! Prova disso é que muitos bares e restaurantes cobram R$1,00 as vezes até R$ 2,00 pela utilização de banheiros (que as vezes nem estão limpos, é bom lembrar).
Ela tá pensando como vai fazer pra mijar... ou não..

Ou seja, nós mulheres estamos duplamente prejudicadas nesse sentido. Fazer banheiros baratos para as mulheres se torna mais difícil, então eles excluem metade da população do projeto e brilhantemente criam o UFA! E eu penso: nossa! É muito fácil ser inteligente e inovador assim.

E para não pensarem que falo sem experiência própria vou logo admitindo que sou uma bexiga solta. E pior: adoro uma cervejinha. Isso torna festividades públicas (como o Carnaval) em um verdadeiro martírio para mim. Porque, ou eu não bebo (o que me deixa extremamente contrariada) ou eu bebo e acabo tendo que usar banheiro químico (que além de imundo tem filas quilométricas) ou contar com a caridade dos donos de estabelecimentos. Ou seja, todas as opções são deprimentes. E isso está diretamente ligado a nossa qualidade de vida! Pois urinar nas calças ou sentir a bexiga quase explodir não pode fazer do Carnaval de ninguém um mar de alegria. Os homens não entendem essa situação, mas eu tenho certeza que todas as mulheres sim!

Ou seja, o UFA! Não só é um conceito mal-idealizado para os homens como inútil para as mulheres. Continuamos sem solução para a questão dos banheiros públicos... e enquanto isso na Europa, algo já começa a ser feito nesse sentido. Pela minha breve pesquisa, a França foi o país que propôs o melhor conceito de banheiro público, segundo dados dessa matéria  aqui



Isso aqui meus caros, é como um banheiro deve parecer. Inclui homens, mulheres e deficientes. Muito inovador, não acham?

Para manter a cidade mais limpa e auxiliar os turistas, que muitas vezes tinham que utilizar os banheiros que são pagos dos grandes centros comerciais, museus. A prefeitura de Paris implantou mais de 400 banheiros públicos na cidade, em 2009.
Toilettes como o da foto acima, são de alta tecnologia e muito higiênicos. E ainda são acessíveis para cadeirantes.
Aí fica a questão, como um banheiro público, pode ser higiênico? Acima eu falei que eles possuem uma alta tecnologia e é verdade. Quando o banheiro está ocupado, uma luz vermelha fica acesa na porta e quando está livre uma luz verde ascende, as portas são automáticas para auxiliar os cadeirantes e senhores e senhoras de idade. Após uma pessoa sair do toilette, uma luz azul ascende na porta, é o estágio de auto-limpeza, onde o banheiro (como o próprio nome diz) se “auto-limpa”, a pia e o vaso são lavados e ainda são despejadas borrifadas de perfumes pelo ambiente. A pia e o secador de mãos são automáticos, de forma a economizar água e papel. [transcrição do site viagemeuropa]



Prefeito, eu preciso desenhar para você entender melhor?




sábado, 2 de março de 2013

Trio Ternura

Rosa Luxemburgo, Simone De Beauvoir e Emma Goldman dando um rolezinho na praia em 1930
para quem não conhece, essas moças foram baluartes na luta das mulheres por seus ideais.

Rosa Luxemburg doutorou-se numa época em que raríssimas mulheres iam para a universidade. Ela foi uma das poucas mulheres politicamente ativas – o preconceito contra as mulheres que desempenhavam algum papel em público era largamente disseminado nos partidos de esquerda. Era uma exilada. Apesar de sua cidadania alemã, permaneceu estrangeira aos olhos de seus inimigos políticos por ser polonesa e judia. Foi uma revolucionária de esquerda – em sua pátria de origem, a Polônia ocupada pelos russos, isso era um crime punível com a morte, e no país que adotou como seu, a Alemanha, uma razão para perseguição permanente. Foi uma mártir da revolução de novembro na Alemanha. Ela foi assassinada em 15 de novembro de 1919 por assassinos de uniforme – pessoas que pertenciam aos círculos que posteriormente apoiaram abertamente a entrega do poder a Hitler.     
(Fonte:http://www.rls.org.br)
Simone de Beauvoir escritora, ícone do feminismo e filósofa integrante do movimento existencialista, se graduou em filosofia, em 1929, e lançou em 1949, sua obra-prima O Segundo Sexo, que logo se torna um clássico do movimento feminista. Seus livros enfocavam os elementos mais importantes da filosofia existencialista, revelando sua crença no comprometimento do intelectual com o tempo no qual ele vive. Na obra A Convidada, de 1943, ela aborda a degeneração das relações entre um homem e uma mulher, motivada pela convivência com outra mulher, hóspede na residência do casal. Uma de suas publicações mais conhecidas é Os Mandarins, de 1954, na qual a escritora flagra os intelectuais no período pós-guerra, seus esforços para deixarem a alta burguesia letrada e finalmente se engajarem na militância política. A autora revela também uma inquietação diante da velhice e da morte, eternizando esta preocupação em livros como Uma Morte Suave, de 1964, e Old Age, de 1970. Em A Cerimônia do Adeus, de 1981, ela narra o fim da existência de Sartre, com quem ela sempre manteve um relacionamento aberto e controvertido, pois ambos cultivavam relações com outros parceiros, e compartilhavam as experiências adquiridas neste e em outros campos da existência, em função de um pacto estabelecido entre ambos. 
É dela uma das principais frases do movimento feminista: “Não se nasce mulher, torna-se mulher.”   
 (Fonte: http://www.infoescola.com)
Emma Goldman anarquista internacional russa se tornou a maior figura da história do radicalismo e feminismo americano (1890-1917). Cresceu em Kaliningrado, Rússia, onde teve uma limitada educação formal. Foi com seus pais para São Petersburgo (1882) e aos dezesseis anos, influenciada pelo movimento intelectual russo no sentido de ir para o povo, tornou-se operária. Emigrou para os Estados Unidos (1886), onde acompanhou as lutas operárias pelas 8 horas de trabalho, que provocaram o enforcamento dos quatro militantes anarquistas de Chicago em novembro do ano seguinte. Esse fato e a relação com ativistas como Joana Grei, J. Most e Voltarine de Cleyre, levaram-na a aderir ao movimento anarquista. Mudou-se para Nova York onde iniciou sua atividade militante e encontrou seu companheiro, Alexander Berkman. Foi presa pela primeira vez em 1893 e depois dessa muitas outras. Oradora famosa, tornou-se uma das principais agitadoras anarquistas dos EUA, tendo sido a fundadora da importante revista libertária Mother Earth. Com amiga e companheira de Alexander Berkman, lutou durante 14 anos pela sua libertação, o que só veio a ocorrer no início do século seguinte (1906). Com Berkman e mais de duzentos revolucionários, foi deportada para a Rússia (1919) após a I Guerra, de onde saiu desiludida com o autoritarismo comunista e passou a circular pela França, Espanha, Inglaterra e Canadá, fazendo conferências e denunciando a repressão que se iniciava na Rússia. Com o começo da Revolução Espanhola, foi para Barcelona (1936), percorrendo a Espanha em ações de agitação e apoio à causa revolucionária. Lutadora da causa operária e defensora dos direitos da mulher, passou resto de sua vida divulgando sua visão humanista do anarquismo e morreu aos setenta anos, em Toronto, Ontario, Canada, deixando escritos espalhados por inúmeras publicações de todo o mundo, como os livros Living My Life e Anarchism and Other Essays. Foi sepultada em Chicago junto aos militantes operários assassinados no século XIX.
(Fonte:netsaber.com.br)

A juventude: uma desconversa com os conservadores



Sem querer cag*r regra na vida de ninguém, mas tem certas coisas que não podem passar sem um comentário espirituoso. Uma dessas coisas é a música Young, Wild and Free (Wiz Khalifa, Snoop Dogg e Bruno Mars), que tem a seguinte letra:


So what we get drunk
So what we smoke weed
We're just having fun
We don't care who sees
So what we go out
That's how it's supposed to be
Living young and wild and free
[...]
Saggin' my pants not caring what I show
[...]
Keep it player for this hoes
[...]
and roll joints bigger than King Kong's fingers
E daí se ficamos bêbado
E daí se fumamos maconha
Estamos só nós divertindo
A gente não liga para quem pode ver
E daí se nós saímos
É assim que devem ser as coisas
Vivendo jovem e indomado e livre
[...]
Minhas calças caindo eu não ligo para o que está aparecendo
[...]
Continuo um galinha para essas putas
[...]
E enrole baseados maiores que os dedos do King Kong

                  Então tudo bem, a juventude está "perdida" desse jeito e a culpa é de quem?

Se você perguntar ao Bolsonaro ou ao Malafaia eles provavelmente vão dizer que a culpa é dos homossexuais responsáveis por desestruturar a sociedade e banalizar o consumo de drogas e o alcoolismo, porque eles são um bando de pervertidos. Ou então, se você perguntar ao Padre Ricardo ele irá culpar o feminismo, por desvirtuar as jovens garotas, que por sua vez com seu encanto demoníaco estão enfeitiçando os jovens meninos e destruindo as futuras famílias.

Eu sei que muita gente vai dizer que YWF é apenas uma música. Que não é novidade os rappers falarem sobre prostituição, drogas, violência e dinheiro em suas músicas. E eu concordo. Mas também sei, que nessa sociedade complexa em que vivemos, nada é “simplesmente algo”. Cavando a base da questão, está o fato de que para os rappers chegarem ao ponto de compor e lançar uma música dessas é porque eles sabem que não enfrentarão uma retaliação social... Se essa música pode ser comercializada facilmente é porque subentende-se que o produto é aceitável e consumível. Se não fosse assim, os empresários desses artistas nem se arriscariam. Ou seja, todo mundo sabe que haverá identificação por parte do público-alvo. Então a gente põe logo o Snoop Dogg e o Bruno Mars (que quase não são famosos e que quase não alcançam ninguém com suas músicas) cantando essa sonata de boa, como se estivessem falando de flores. E o público-alvo se identifica. Ou seja, os jovens estão de fato fumando maconha e

sexta-feira, 1 de março de 2013

Eu quero livro!


EU QUERO:


O livro Masculinidades.


Fui ler o texto do Vanderlei Machado na Revista de Estudos Feministas sobre o livro e deu nisso. Mas também sente o naipe dos artigos:

Da dimensão sexual de uma guerra: os estupros em série como arma na ex-Iugoslávia, 1991–1995, Véronique Nahoum-Grappe

Masculinidades e violências: gênero e mal-estar na sociedade contemporânea, Lia Zanotta Machado

Os clientes das prostitutas: algumas reflexões a respeito de uma pesquisa sobre a prostituição em Milão, Luisa Leonini

Os homens e o masculino numa perspectiva de relações sociais de sexo, Daniel Welzer-Lang

Trilhas urbanas, armadilhas humanas: a construção de territórios de prazer e dor na vivência da homossexualidade masculina no Nordeste brasileiro do anos 1970 e 1980, Durval Muniz de Albuquerque Júnior e Rodrigo Ceballos

O habito faz o marido? O exemplo de um female husband, James Allen (1787–1829), Susan Clayton

‘Pioneiros': masculinidades em narrativas sobre fundadores de grupos empresariais brasileiros, Adriana Piscitelli

De canhão a cartola: meandros de um itinerário emblemático (Carlota Pereira de Queiroz, 1892–1982), Mônica Raisa Schpun



"às indagações sobre a articulação entre masculinidade e uma concepção de 
sexualidade que antagoniza o masculino como sujeito da sexualidade e o feminino 
como objeto da sexualidade" (p. 36).

Lia Zanotta



"o fato de que o tema da prostituição é um tema carregado de implicações 
de gênero, não apenas no que se refere às mulheres, mas também, à própria 
definição de homem e às relações de poder realizadas,imaginadas 
ou desejadas entre os gêneros" (p. 90).

Luisa Leonini




Masculinidades. SCHPUN, Mônica Raisa (Org.).São Paulo: Boitempo; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2004. 233 p.

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